quinta-feira, janeiro 13, 2005

Como Começou

Em Sarajevo, Bosnia-Herzgovina, no dia 28 de Junho o herdeiro do trono austro-húngaro foi assassinado enquanto tentava resolver problemas estimulados por sérvios locais, que desejavam voltar a unir-se à Sérvia. O arquiduque esperava que uma exibição de poder militar e politico domesticasse a província desordeira. Por entre a multidão revoltada estavam membros de um grupo chamado "Mão Negra", que tinham como objectivo assassinar o arquiduque Francisco Fernando. Essa conspiração foi arquitectada numa mesa de um café em Belgrado.
28 De Julho: O Império Austro-Húngaro declara guerra à Sérvia;
29 De Julho: E apoio à Sérvia, a Rússia mobiliza seus exércitos contra o Império Austro-Húngaro e contra a Alemanha;
1º De Agosto: A Alemanha declara guerra à Rússia;
3 De Agosto: A Alemanha declara guerra à França. Para atingi-la, mobiliza seus exércitos e invade a Bélgica, que era um país neutro;
4 De Agosto: A Inglaterra exige que a Alemanha respeite a neutralidade da Bélgica. Como isso não ocorre, declara guerra à Alemanha.

Os Países e os seus motivos

?No início do século XX o clima de tensão entre as grandes potências é tão grande que o conflito já se mostra inevitável. Os países procuram então organizar os exércitos, produzir armamentos e fazer acordos entre si para garantir força na disputa. Em 1907 estão formadas a Tríplice Aliança e a Tríplice Entente.?
A Tríplice aliança Reúne a Alemanha, o império Austro-Húngaro e a Itália, a partir de 1882, com o objectivo de enfrentar o expansionismo francês na Europa. Durante a guerra, o Império Otomano incorpora-se a ela por sua aliança com a Alemanha e por suas rivalidades com a Rússia. A Bulgária, que tem grandes interesses nos Balcãs, também se alia à Alemanha. A Itália, embora pertencente à Tríplice Aliança, declara-se neutra no início do conflito e depois, em 1915, passa para o lado de seus inimigos, apoiando a Tríplice Entente.
A Tríplice Entente tem por base a Entente Cordial, formada em 1904 pelo Reino Unido e pela França para opor-se ao expansionismo germânico. Em 1907, com a adesão da Rússia, ela se transforma na Tríplice Entente. Durante a guerra, outras 24 nações incorporam-se à Entente, formando uma ampla coalizão chamada de Aliados.No início da guerra, sete Estados já se achavam envolvidos directamente: Áustria-Hungria, Rússia, Sérvia, Inglaterra, Bélgica, França e Alemanha. Á 23 de Agosto, o Japão juntou-se aos Aliados e, em Novembro, a Turquia aderiu às Potências Centrais. A guerra tomou um carácter mundial à medida que as colónias desses países se viram envolvidas.

Metralhadoras


A primeira metralhadora foi inventada por Hiram Maxim em 1884 mas só foi adoptada pela armada britânica em 1889. Foi usada na primeira guerra mundial em 1914 mas era pouco pratica porque para a manejar eram precisos três a seis homens. Para dar mais protecção aos soldados que iam manejar a metralhadora foram feitas "casas" blindadas que eram chamadas de "blochauses". Eram também construídos postos de metralhadoras ao longo das trincheiras. Os soldados que manejavam as metralhadoras eram odiados pela infantaria inimiga e o que fazia com que tivessem mais prazer em mata-los quando eram capturados (em relação aos outros soldados).
Gás

Este novo tipo de arma começou a ser usada na 1ª Guerra Mundial e através do lançamento de gases venenosos para as trincheiras inimigas. A principio os gases eram visíveis e detectáveis devido a sua cor amarelada e ao seu cheiro e assim os soldados tinham tempo de pôr as máscaras que tinham inventado á "pressa" e se assemelhavam a um focinho de porco. Mais tarde os gases evoluíram no sentido de serem invisíveis e inodoros. Os efeitos do gás eram prejudiciais aos humanos o que por vezes provocavam cegueira, pulmões queimados e danos na pele.

Testemunho de um soldado que esteve presente em Ypres no momento em que foi lançado gás.

Nós sabíamos que alguma coisa estava errada. Começámos a marchar em direcção a Ypres mas não conseguíamos passar ao longo da linha de caminhos-de-ferro para Ypres. Havia civis e soldados deitados na berma da estrada num estado terrível. Ouvimo-los dizer: "Isto é gás! Isto é gás! Mal conseguíamos passar tantos eram os refugiados que vinham pela rua a baixo. Ainda não sabíamos como era aquele gás infernal. Quando chegámos a Ypres, descobrimos uma grande quantidade de canadianos mortos por causa do gás do dia anterior. Pobres diabos! Era algo difícil de ver para um jovem. Eu só tinha vinte anos. Por isso fiquei parado e traumatizado. Nunca mais me esqueci daquele momento.

Tanques (o blindado)

O primeiro tanque foi usado pela Inglaterra na primeira guerra mundial em 15 de Setembro de 1916 o que provocou um grande espanto por parte da Alemanha. O tanque era a principio um tractor blindado que não era afectado pelas armas normais. Mais tarde verificou-se que só os canhões de pequeno calibre eram eficazes. Um dos poucos defeitos do tanque naquela altura era a sua reduzida velocidade (cerca de 9 km/h). Ao longo da sua evolução foram introduzidas as lagartas que foram fundamentais para a sua melhor deslocação e resistência. A seguir, foram introduzidas metralhadoras para concretizar o desejo de poder resistir aos ataques e ao mesmo tempo poder atacar, eram normalmente equipados com torres giratórias (360º). O tanque tinha uma blindagem de 3 a 8 mm de espessura chegando a atingir 22 mm nas zonas mais expostas. Tinham um peso de 6 a 8 toneladas, 5 a 7 metros de comprimento por 3 de largura. Podiam possuir 7 metralhadoras e um canhão de 57mm e transportar de 6 a 18 pessoas. Na actualidade é fundamental o tanque não passar das 40 a 50 toneladas, levar canhões semiautomáticos de 120 mm. Tem motores a diesel muito potentes conseguindo atingir os 60 a 70 km/h.
Os efeitos do tanque eram devastadores, destruindo campos de batalha e vidas. Tinham também a vantagem de conseguir passar sem dificuldades o arame farpado, avançar e explorar o terreno inimigo sem ser abatido.

As Trincheiras

Com o decorrer da guerra, que no início se pensava que fosse curta, foi necessário não só atacar o inimigo como também defender-se dele. Por isso, como as armas se foram desenvolvendo, também as trincheiras onde os soldados se abrigavam tiveram de se desenvolver. Como prova disso temos esta fotografia de um sistema de trincheiras, que se foi sempre aperfeiçoando, chegando quase a poder ser caracterizado como uma cidade subterrânea. Haviam vários tipos de trincheiras, todas elas interligadas; as trincheiras da linha da frente, ligadas a outras trincheiras que estavam atrás e que serviam de apoio às da frente. As trincheiras podiam atingir grande profundidade, chegando mesmo a ir até 15 metros abaixo do solo, e por isso, eram muito difíceis de destruir. No entanto, a vida nas trincheiras estava longe de ser um luxo...

Nesta fotografia, vemos uma trincheira alagada, pois a guerra desenrolava-se no norte da Europa, em zonas muito húmidas. Isto dificultava a deslocação dentro das trincheiras e obrigava os soldados a dormir, por vezes, nessa lama. Além disso, com a água, as trincheiras desabavam aos poucos, o que obrigava os soldados a estar maior parte do seu tempo a escavar Além das dificuldades que já vimos, os soldados tinham que se defrontar com outras dificuldades. Os cadáveres não estavam apenas na "terra de ninguém", mas também nas trincheiras. Este era apenas um dos muitos factores que dificultavam a deslocação dentro das trincheiras. Além disso, o cheiro que os corpos emanavam era horrível e isso também condicionava a vida nas trincheiras.



A comida também era um problema, embora não o devesse ser. Nesta figura vemos dois soldados a tentar preparar uma refeição quente. A comida era muito má, e também era difícil comer vendo cadáveres ao lado e sentindo um cheiro horrível deles proveniente. Eram muitos os soldados que, quando escreviam cartas para casa, mencionavam as más condições de vida e a chegavam mesmo a pedir que lhes enviassem alguma comida. Segundo alguns testemunhos, a comida existente, além de má, também era em pouca quantidade e, por exemplo, os biscoitos eram tão duros que tinham de ser postos sobre uma superfície lisa e serem partidos para poderem ser comidos. "Todos nós vivíamos de chá e biscoitos de cão. Se comessemos carne uma vez por semana eramos sortudos. Mas imagine o que era comer dentro de trincheiras cheias de água com o cheiro dos cadáveres." Estas foram as palavras de Richard Beasley, entrevistado em 1993, sobre a sua participação na 1ª guerra mundial.

Como Acabou

A Rússia retirou-se da guerra, favorecendo a Alemanha na frente oriental. E pelo Tratado de Brest-Litovsk, estabeleceu a paz com a Alemanha. Esta procurou concentrar suas melhores tropas no ocidente, na esperança de compensar a entrada dos Estados Unidos. A Alemanha já não tinha condições para continuar a guerra. Surgiram as primeiras propostas de paz do presidente dos Estados Unidos, propondo, por exemplo, a redução dos armamentos, a liberdade de comércio mundial etc. Com a ajuda material dos Estados Unidos, ingleses e franceses passaram a deter um superioridade numérica brutal em armas e equipamentos sobre as forças inimigas. A partir de Julho de 1918, ingleses franceses e americanos organizaram uma grande ofensiva contra seus oponentes. Sucessivamente, a Bulgária, a Turquia e o Império Austro-Húngaro depuseram armas e abandonaram a luta. A Alemanha ficou sozinha e sem condições de resistir ao bloqueio, liderado pelos Estados Unidos, que "privaram o exército alemão, não de armamentos, mas de lubrificantes, borracha, gasolina e sobretudo víveres". Dentro da Alemanha, agravava-se a situação política. Sentindo a iminência da derrota militar, as forças políticas de oposição provocaram a abdicação do imperador Guilherme II. Imediatamente, foi proclamada a República alemã, com sede a cidade de Weimar, liderada pelo partido social-democrata. Em 11 de Novembro de 1918, a Alemanha assinou uma convenção de paz em condições bastante desvantajosas, mas o exército alemão não se sentia militarmente derrotado. Terminada a guerra, os exércitos alemães ainda ocupavam os territórios inimigos, sem que nenhum inimigo tivesse penetrado em territórios alemães.

Consequências

Ao final da Guerra, a Europa estava em ruínas no campo económico e social, além de 13 milhões de pessoas que morreram durante a guerra. E "a estas baixas é preciso juntar as que, no seio das populações civis, resultaram das invasões, das epidemias, das restrições alimentares e da fome, bem como do deficit da natalidade".
Às milhões de vidas sacrificadas deve ser acrescentado um assombroso custo económico que se reflectia no "desgaste do material de transporte, do instrumental das fábricas que foram utilizadas ao máximo e insuficientemente renovadas e conservadas, o que representa no total uma séria diminuição de seu potencial económico. Houve não só prejuízo pela falta de crescimento da produção e de natalidade, mas também o endividamento dos países beligerantes que tiveram de contrair empréstimos, ceder parte de suas reservas de ouro e desfazer-se de parte de seus investimentos no estrangeiro". Todo esse grave quadro de crise e de decadência da Europa veio beneficiar aos Estados Unidos, que despontaram, nos anos de pós guerra, com uma das mais poderosas potências mundiais. Um dos grandes factores que colaboraram para a ascensão económica dos Estados Unidos foi a sua posição de neutralidade durante boa parte da Primeira Guerra Mundial. Assim, puderam desenvolver sua produção agrícola e industrial, fornecendo seus produtos às potências europeias envolvidas no conflito. Por outro lado, enquanto as potências europeias estavam compenetradas no esforço de guerra, os Estados Unidos aproveitaram-se para suprir outros mercados mundiais, na Ásia e na América Latina.
Terminada a Guerra, a Europa arrasada tornou-se um grande mercado dependente de exportações americanas. Possuindo aproximadamente a metade de todo o ouro que circulava nos mercados financeiros mundiais, os Estados Unidos projectavam-se como maior potência financeira mundial do pós guerra.
No período de 1919 a 1929, realizou-se no palácio de Versalhes, na França, uma série de conferências com a participação de 27 estados nações vencedoras da Primeira Guerra Mundial. Lideradas pelos representantes dos Estados Unidos, da Inglaterra e da França, essas nações estabeleceram um conjunto de decisões, que impunham duras condições à Alemanha. Era o Tratado de Versalhes, que os alemães se viram obrigados a assinar, no dia 28 de Junho de 1919. Do contrário, o território alemão poderia ser invadido.



Contendo 440 artigos, o Tratado de Versalhes era uma verdadeira sentença penal de condenação à Alemanha. Estipulava, por exemplo, que a Alemanha deveria:
· Entregar a região da Alsácia-Lorena à França;
· Ceder outras regiões à Bélgica, á Dinamarca e a Polónia;
· Entregar quase todos os seus navios mercantes à França, Inglaterra e Bélgica;
· Pagar uma enorme indemnização em dinheiro aos países vencedores;
· Reduzir o poderio militar dos seus exércitos sendo proibida de possuir aviação militar.
Não demorou muito tempo para que todo esse conjunto de decisões humilhantes, impostas à Alemanha, provocasse a reacção das forças políticas que no pós guerra, se organizaram no país. Formou-se, assim, uma vontade nacional alemã, que reivindicava a revogação das duras imposições do Tratado de Versalhes. O nazismo soube explorar muito bem essa "vontade nacional alemã", gerando um clima ideológico para fomentar a Segunda Guerra Mundial (1939 ? 1945). Além do Tratado de Versalhes, foram assinados outros tratados entre os países participantes da Primeira Guerra Mundial. Através desses tratados, desmembrou-se o Império Austro-Húngaro, possibilitando o surgimento de novos países.
Em 28 de Abril de 1919, a Conferência de Paz de Versalhes aprovou a criação da Liga das Nações (ou Sociedade das Nações), atendendo proposta do presidente dos Estados Unidos. Sedeada em Genebra, na Suíça, a Liga das Nações deu início às suas actividades em Janeiro de 1920, tendo como missão agir como mediadora no caso de conflitos internacionais, procurando, assim, preservar a paz mundial.
A Liga das Nações logo revelou-se uma entidade sem força política, devido à ausência das grandes potências. O Senado americano vetou a participação dos Estados Unidos na Liga, pois discordava da posição fiscalizadora dessa entidade em relação ao cumprimento dos tratados internacionais firmados no pós guerra. A Alemanha não pertencia à Liga e a União Soviética foi excluída. A Liga das Nações foi impotente para impedir, por exemplo, a invasão japonesa na Manchúria, em 1931, e o ataque italiano à Etiópia, em 1935.
As duras marcas deixadas pela guerra motivaram diversas crises económicas e políticas nos 20 anos seguintes, forjando as razões para o início de um conflito mais terrível: a Segunda Guerra Mundial.