Ao final da Guerra, a Europa estava em ruínas no campo económico e social, além de 13 milhões de pessoas que morreram durante a guerra. E "a estas baixas é preciso juntar as que, no seio das populações civis, resultaram das invasões, das epidemias, das restrições alimentares e da fome, bem como do deficit da natalidade".
Às milhões de vidas sacrificadas deve ser acrescentado um assombroso custo económico que se reflectia no "desgaste do material de transporte, do instrumental das fábricas que foram utilizadas ao máximo e insuficientemente renovadas e conservadas, o que representa no total uma séria diminuição de seu potencial económico. Houve não só prejuízo pela falta de crescimento da produção e de natalidade, mas também o endividamento dos países beligerantes que tiveram de contrair empréstimos, ceder parte de suas reservas de ouro e desfazer-se de parte de seus investimentos no estrangeiro". Todo esse grave quadro de crise e de decadência da Europa veio beneficiar aos Estados Unidos, que despontaram, nos anos de pós guerra, com uma das mais poderosas potências mundiais. Um dos grandes factores que colaboraram para a ascensão económica dos Estados Unidos foi a sua posição de neutralidade durante boa parte da Primeira Guerra Mundial. Assim, puderam desenvolver sua produção agrícola e industrial, fornecendo seus produtos às potências europeias envolvidas no conflito. Por outro lado, enquanto as potências europeias estavam compenetradas no esforço de guerra, os Estados Unidos aproveitaram-se para suprir outros mercados mundiais, na Ásia e na América Latina.
Terminada a Guerra, a Europa arrasada tornou-se um grande mercado dependente de exportações americanas. Possuindo aproximadamente a metade de todo o ouro que circulava nos mercados financeiros mundiais, os Estados Unidos projectavam-se como maior potência financeira mundial do pós guerra.
No período de 1919 a 1929, realizou-se no palácio de Versalhes, na França, uma série de conferências com a participação de 27 estados nações vencedoras da Primeira Guerra Mundial. Lideradas pelos representantes dos Estados Unidos, da Inglaterra e da França, essas nações estabeleceram um conjunto de decisões, que impunham duras condições à Alemanha. Era o Tratado de Versalhes, que os alemães se viram obrigados a assinar, no dia 28 de Junho de 1919. Do contrário, o território alemão poderia ser invadido.
Contendo 440 artigos, o Tratado de Versalhes era uma verdadeira sentença penal de condenação à Alemanha. Estipulava, por exemplo, que a Alemanha deveria:
· Entregar a região da Alsácia-Lorena à França;
· Ceder outras regiões à Bélgica, á Dinamarca e a Polónia;
· Entregar quase todos os seus navios mercantes à França, Inglaterra e Bélgica;
· Pagar uma enorme indemnização em dinheiro aos países vencedores;
· Reduzir o poderio militar dos seus exércitos sendo proibida de possuir aviação militar.
Não demorou muito tempo para que todo esse conjunto de decisões humilhantes, impostas à Alemanha, provocasse a reacção das forças políticas que no pós guerra, se organizaram no país. Formou-se, assim, uma vontade nacional alemã, que reivindicava a revogação das duras imposições do Tratado de Versalhes. O nazismo soube explorar muito bem essa "vontade nacional alemã", gerando um clima ideológico para fomentar a Segunda Guerra Mundial (1939 ? 1945). Além do Tratado de Versalhes, foram assinados outros tratados entre os países participantes da Primeira Guerra Mundial. Através desses tratados, desmembrou-se o Império Austro-Húngaro, possibilitando o surgimento de novos países.
Em 28 de Abril de 1919, a Conferência de Paz de Versalhes aprovou a criação da Liga das Nações (ou Sociedade das Nações), atendendo proposta do presidente dos Estados Unidos. Sedeada em Genebra, na Suíça, a Liga das Nações deu início às suas actividades em Janeiro de 1920, tendo como missão agir como mediadora no caso de conflitos internacionais, procurando, assim, preservar a paz mundial.
A Liga das Nações logo revelou-se uma entidade sem força política, devido à ausência das grandes potências. O Senado americano vetou a participação dos Estados Unidos na Liga, pois discordava da posição fiscalizadora dessa entidade em relação ao cumprimento dos tratados internacionais firmados no pós guerra. A Alemanha não pertencia à Liga e a União Soviética foi excluída. A Liga das Nações foi impotente para impedir, por exemplo, a invasão japonesa na Manchúria, em 1931, e o ataque italiano à Etiópia, em 1935.
As duras marcas deixadas pela guerra motivaram diversas crises económicas e políticas nos 20 anos seguintes, forjando as razões para o início de um conflito mais terrível: a Segunda Guerra Mundial.